Remuneração de R$ 2 mil não atrai e supermercados não encontram mão de obra
Salários em torno de R$ 2 mil já não despertam o interesse de muitos profissionais para jornadas no formato 6×1 - em que se trabalha seis dias consecutivos para usufruir apenas um de descanso. Essa realidade já começa a impactar diretamente o setor supermercadista, que enfrenta dificuldades concretas para preencher vagas por falta de candidatos.
O quadro evidencia uma transformação significativa na postura do trabalhador brasileiro. Diante dos custos com transporte, alimentação, moradia e demais despesas básicas, o salário isolado deixou de ser o único critério de escolha. Cada vez mais entram na conta fatores como tempo livre, descanso adequado e os efeitos da rotina de trabalho sobre a saúde física e emocional. Uma semana de seis dias de trabalho intenso, muitas vezes em pé e sob pressão, com poucas folgas e remuneração próxima ao mínimo, perdeu seu apelo.
Enquanto isso, empregadores relatam escassez de mão de obra, mas a situação escancara um ajuste em curso no mercado. Quando não existe correspondência entre salário, carga horária e condições oferecidas, o desinteresse é inevitável. Não se trata de desmotivação para trabalhar, e sim da ausência de propostas alinhadas às necessidades atuais da classe trabalhadora.
Esse cenário recoloca no centro do debate a escala 6×1, a valorização do trabalho e a urgência de jornadas mais equilibradas e humanizadas. Na prática, os trabalhadores deixam claro que ter um emprego, por si só, já não é suficiente: é preciso que ele garanta dignidade e qualidade de vida.
O recado é claro: para atrair e manter profissionais, será necessário rever salários, benefícios e modelos de jornada. O mercado de trabalho mudou - e essa mudança aponta para avanços importantes na luta por melhores condições para os trabalhadores.











