EUA: na Meca do capital, desigualdade de renda faz crescer a procura pelo movimento sindical

A parcela de americanos que aprovam sindicatos trabalhistas é a mais alta em quase 60 anos, contando com o apoio de 68% dos trabalhadores dos EUA, de acordo com uma pesquisa recente da Gallup. O número é o mais alto desde 1965, quando atingiu 71%, uma época em que o poder sindical e a adesão cresceram rapidamente. Embora a adesão a sindicatos tenha diminuído constantemente desde então, a organização sindical começou a se recuperar na última década, em parte devido a tendências como o envelhecimento da população e a crescente desigualdade de renda.

A pandemia expôs questões trabalhistas que aceleraram esse renovado ativismo sindical. Números recordes de trabalhadores deixaram seus empregos ou deixaram a força de trabalho inteiramente. A tendência pode ser vista em praticamente todos os setores, embora em taxas variadas, e continua à medida que os benefícios voltados aos desempregados se esgotaram.

Essas condições criaram um terreno fértil para os americanos buscarem salários mais altos, melhores benefícios e melhores condições de trabalho. Levar esse tipo de mudança adiante exigirá uma mistura de mudança de política e crescimento sindical, relata Rani Molla, do Vox. Defensores trabalhistas acreditam que este momento pode levar a um aumento da filiação sindical nos próximos anos.

Por enquanto, ainda não está claro se esse crescente sentimento positivo em relação aos sindicatos está se traduzindo em organização e outras atividades sindicais, como greves, devido às limitações dos conjuntos de dados existentes. A criação de sindicatos trabalhistas de empresas como Amazon, Google, Starbucks, bem como greves na John Deere e Kellogg's, podem aumentar o impulso. O mesmo com a legislação aprovada no ano passado pela Câmara, que facilitaria a sindicalização dos trabalhadores no futuro. Atualmente, o projeto está sendo analisado pelo Senado.

As vantagens únicas desta época não vão necessariamente durar, mas, dependendo do que trabalhadores, organizadores e políticos fizerem neste momento, podemos acabar com uma cultura de trabalho melhor.

Fonte: Vox Explain The News, www.vox.com