Janeiro Branco e a Síndrome de Burnout

O Janeiro Branco é uma campanha que convida as pessoas a refletirem sobre a saúde mental. Talvez boa parte dos trabalhadores possa não compreender a natureza dos seus problemas emocionais, e aí a situação se mostra ainda mais preocupante. A síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional é abordada nesse mês. Por isso, é fundamental que as empresas colaborem para a propagação da campanha.

Recentemente, a Síndrome de Burnout foi incluída pela Organização Mundial da Saúde - OMS na sua Classificação Internacional de Doenças. Tal circunstância acentua ainda mais a discussão sobre o tema. Mas ainda que a notícia tenha tomado grande repercussão mundial, poucos ainda entendem o seu significado.

E você? Sabe o que é a síndrome de Burnout? Sabe quais são as consequências jurídicas daqueles que são acometidos pela doença?

O Ministério da saúde conceitua a doença da seguinte forma: Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.

Conforme abordado acima, a relação com o trabalho é fundamental para o diagnóstico da doença. Diversos fatores contribuem para tal estado. Entre eles, cobrança de metas inatingíveis, não ser devidamente recompensado pelas tarefas realizadas, horas extras praticadas em excesso, bem como elevadas cargas de trabalho.

Consequentemente, com o passar do tempo, o trabalhador passa a enfrentar alterações em seu humor, ausência de motivação, ainda que em atividades prazerosas, além do cansaço físico e metal.

A situação no Brasil tem alcançado níveis alarmantes, pois existe um crescimento preocupante da doença a cada ano.

Outro fator que merece destaque foi a influência da tecnologia no ambiente de trabalho. Novas ferramentas tecnológicas fazem parte das empresas, e agora tem se tornado cada vez mais comum levar o trabalho para casa.

Responder e-mails, mensagens de clientes e chefes pelo whatsapp, preenchimento de relatórios na plataforma online da empresa, todos esses exemplos fora do expediente, são algumas situações onde a ausência de limites das ferramentas tecnológicas tem contribuído para o aumento de casos de Síndrome de Burnout. Ou seja, quando não há uma desconexão do trabalho.

Com a popularização dos casos da síndrome, e um amadurecimento cada vez maior sobre o assunto, tem se tornado comum à condenação de empresas para ressarcirem seus empregados diagnosticados com Burnout, além de afastamentos.

Por isso que, cada vez mais as empresas precisam contar com equipes multidisciplinares que sejam capazes de encontrar falhas na dinâmica praticada nos ambientes de trabalho. Deste modo, adotar práticas como auditorias trabalhistas e compliance são poderosas ferramentas que atuam como aliados para o empregador, evitando dores de cabeça desnecessárias.

É imprescindível que a empresa crie estratégias para prevenir (testes, palestras etc), detectar (criar sistema de monitoramento) e tratar (meios de recuperar a saúde) a Síndrome do Esgotamento Profissional. Elas devem assegurar que o meio ambiente de trabalho seja seguro, sadio e adequado e este equilíbrio está baseado no resguardo da saúde do trabalhador, tanto física quanto psicologicamente. A empresa, portanto, não pode focar apenas em si, no seu lucro. É importante que valorize e cuide das pessoas que trabalham para ela, pois caso contrário, quem perde é a sociedade como um todo.

 

Fonte: Jedson Henrique Advocacia e Consultoria Jurídica, 09 de janeiro de 2021