Deputados aprovam em primeiro turno o fim do seu direito à aposentadoria

Com direito a compra de votos pelo governo Bolsonaro, que liberou mais de 1 bilhão em emendas constitucionais às vésperas da votação, e ainda prometeu 40 milhões para cada um desses deputados, foi aprovada na noite desta quarta (10), em primeiro turno, a reforma da Previdência no plenário da Câmara dos Deputados. Após essa aprovação, ocorreram votações de emendas, entre elas a do PSL para agradar as forças repressivas. A reforma ainda tem que ser aprovada em segundo turno na Câmara e em dois turnos no Senado.

Com uma votação de 379 a favor e 131 contra, foi aprovada em primeiro turno um imenso ataque aos direitos dos trabalhadores. Em meio a um deboche com os trabalhadores que incluiu até um milionário bolão dos deputados em apostas na votação, garantiram o primeiro trâmite de uma reforma que impõe uma idade mínima absurda e ainda um gigantesco corte no valor das futuras aposentadorias.

Entre os votantes, chama atenção a clara maioria da bancada do latifúndio, com os 84 bilhões de isenções ao agronegócio, que foram concedidos em troca dos votos para acabar com a nossa aposentadoria. O latifúndio sozinho garantiu ao menos 155 dos votos. Também chama atenção votos de deputados investigados por corrupção e por diversas outras ilegalidades.

Com acordo entre o governo Bolsonaro, Rodrigo Maia e toda a corja de políticos ricos e corruptos da Câmara dos Deputados, foi aprovada a reforma da Previdência que destruirá o direito a aposentadoria do povo trabalhador do Brasil. Aos deputados foi prometido mais de 40 milhões a cada um até 2020 em emendas.

O projeto aprovado, que havia sido modificado pela comissão especial, continua garantindo aos militares das Forças Armadas o salário que recebiam no fim de carreira, e ainda criaram um nível hierárquico a mais para beneficiá-los. Juízes e promotores também terão garantidos seus vencimentos atuais. Políticos também têm a chance de passar no plenário do Congresso uma regra de transição mais leve “para não perder direitos”. Também isentou o agronegócio de pagamento do INSS, deixando de arrecadar mais de R$ 80 bilhões.

Não à toa este projeto já havia sido apresentado pelo golpista Michel Temer e agora novamente por Bolsonaro, que o tem como seu principal projeto e um dos motivos pelos quais foi eleito em eleições manipuladas. É um passo importante para os grandes empresários, latifundiários e banqueiros estrangeiros e nacionais descarregarem ainda mais os custos da crise econômica sobre a maioria trabalhadora e pobre do país, enquanto preservam seus lucros e patrimônio e seguem recebendo centenas de bilhões em títulos da dívida pública, para onde irá o dinheiro “economizado” com a reforma.

O mesmo governo, que é valente contra o que chamam de “privilégios” do trabalhador, não se anima a cobrar das grandes empresas a dívida de mais de 450 bilhões destas com a Previdência Social, admitida por um documento do próprio Senado Federal. Isso em um país em que 60% dos aposentados recebem um salário mínimo. Anualmente, o país dá mais de 350 bilhões de isenções fiscais para grandes empresas, que deixam de pagar impostos: o Brasil é dos países que menos cobra impostos de ricos e grandes empresários.

Além disso, nosso judiciário (golpista e autoritário) é o mais caro do mundo e o Congresso Nacional é o segundo mais caro.

Nos próximos dias veremos o resultado global da votação, incluindo as emendas e o ritmo de tramitação no Senado, e será necessário debater como seguir a luta contra todos estes ataques.

 

Fonte: Esquerda Diário, 10 de julho de 2019