Plenária do Trabalhador vai discutir Reforma da Previdência

Trabalhadores e trabalhadoras: o mês de junho é um mês de luta para todos nós! Desta maneira, no próximo dia 28 de junho, o movimento sindical de Tubarão e região vai realizar uma plenária e você é nosso(a) convidado(a).
Como tema central de nosso debate, a Reforma Trabalhista. Participe! É na próxima quarta-feira (28), a partir das 19 horas, no auditório do Sinpaaet!

Comissão rejeita reforma trabalhista no Senado

Sob pressão da CUT, das demais centrais sindicais e dos movimentos sociais que fizeram mobilizações contra o desmonte da CLT, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) derrotou por 10 a 9 a proposta de Reforma Trabalhista do golpista e ilegítimo Michel Temer (PMDB-SP).

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, “esse resultado é uma demonstração cabal de que a mobilização e a pressão é a arma mais eficaz da classe trabalhadora contra os desmontes sociais, trabalhista e previdenciário que Temer e sua turma querem fazer”.

Vamos continuar mobilizados rumo a greve geral, disse Vagner, que completou: “é importante continuar e reforçar as nossas mobilizações nos Estados e Municípios, principalmente nas bases dos senadores que fazem parte da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a proposta vai ser votada no próximo dia 28/6”.

Essa é a primeira de uma série de derrotas que a CUT, as demais centrais e os movimentos sociais vão impor a Temer. O Palácio do Planalto dava como certa a aprovação do relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que foi rejeitado nesta terça.

Vagner alerta que a rejeição do relatório na CAS representa uma derrota política de Temer, mas a luta segue na CCJ e no plenário da Casa. Isso porque, a CAS aprovou o voto em separado do senador Paulo Paim (PT-RS), que apresentou mudanças no texto encaminhado pela Câmara dos Deputados, mas o resultado da votação não interrompe a tramitação da proposta do governo. A decisão final sobre o voto em separado do Paim e a proposta do governo cabe ao plenário do Senado.

Veja como votaram os senadores:

Ângela Portela (PDT) – Não
Humberto Costa (PT) – Não
Paulo Paim (PT) – Não
Paulo Rocha (PT) – Não
Regina Sousa (PT) – Não
Eduardo Amorim (PSDB) – Não
Hélio José (PMDB) – Não
Lídice da Mata (PSB) – Não
Randolfe Rodrigues (REDE) – Não
Otto Alencar (PSD) – Não

Waldermir Moka (PMDB) – Sim
Elmano Férrer (PMDB) – Sim
Airton Sandoval (PMDB) – Sim
Cidinho Santos (PR) – Sim
Vicentinho Alves (PR) – Sim
Dalirio Beber (PSDB) – Sim
Flexa Ribeiro (PSDB) – Sim
Ricardo Ferraço (PSDB) – Sim
Ana Amélia (PP) – Sim

Fonte: CUT

Verdades sobre a Reforma Trabalhista

Você tem ideia de como ficará sua vida, como trabalhador(a), caso as polêmicas Reformas Trabalhistas sejam efetivamente aprovadas? Confira aqui, indigne-se e venha lutar com a gente!

Menos debatida pela população do que a Reforma da Previdência, a Trabalhista pode excluir do contrato o pagamento pelas horas que se gasta para chegar ao trabalho quando é de difícil acesso, reduzir os valores de indenização por danos morais, fazer prevalecer os acordos entre patrões e empregados sobre a lei, possibilitar a redução de salário e o aumento da jornada de trabalho, além de uma série de outras alterações estruturais.

ARTIGO: Querem diminuir salários e restringir o mercado interno

Por  José Álvaro de Lima Cardoso, economista do DIEESE

Um dos objetivos do golpe perpetrado no Brasil em 2016 é o de reduzir o custo da força de trabalho, visando atrair capitais externos. Essa decisão estratégica é muito importante porque afeta “apenas” a parcela da população que vive direta ou indiretamente do seu trabalho, ou seja 99% da população. Segundo o IBGE, o rendimento médio real dos ocupados, em dezembro de 2016, em Santa Catarina, estava em R$ 2.171,00, o que já é um salário extremamente baixo. Mas para, atrair investimentos internacionais, querem reduzir ainda mais o custo salarial.

O país se encontra, neste momento, segundo os dados do PIB do primeiro trimestre, no mesmo patamar de produção do final de 2010. Foram oito quedas trimestrais seguidas no PIB, maior sequência da história. O consumo das famílias, um dos motores fundamentais da economia, que representa aproximadamente 65% do PIB, segue em queda. O número de desempregados chegou a 14,5 milhões de trabalhadores com forte impacto sobre a massa salarial. É um verdadeiro processo de destruição do mercado interno.

As três principais alavancas da economia estão enguiçadas: a demanda das famílias, que movimenta e dá sentido à produção sofre o efeito da queda da renda; o investimento das empresas, que depende da existência demanda e do crédito, ambos em queda livre; e o investimento público, por decisão de Emenda Constitucional do governo (Emenda Constitucional 95), está congelado em termos reais por 20 anos.

Santa Catarina, em termos de crescimento, segue na mesma toada: entre 2012 e 1016 a economia catarinense encolheu 1,7% enquanto a brasileira 2%, ou seja, desempenho desgraçadamente muito semelhante ao do Brasil. E nos últimos dois anos a situação do estado se agravou: enquanto o PIB brasileiro recuou 7,4%, o de Santa Catarina caiu 9,3%.

É importante entender o verdadeiro custo do golpe. Os procuradores da Lava Jato falam em valores de propinas que podem chegar a R$ 6,2 bilhões. É muito dinheiro. Porém, é fundamental levar em conta que este é o dinheiro da “cachaça”, estes valores representam um nada em relação aos prejuízos que o golpe contra a democracia vem causando à economia brasileira. O preço do golpe de Estado no Brasil é milhões de vezes mais alto do que o suposto custo da corrupção. O prejuízo sobre o mercado interno é um exemplo. O PIB per capita brasileiro acumulou queda de 11% desde o segundo trimestre de 2014, data que marca o início da recessão atual. Mesmo que a economia cresça 0,5% este ano e 2,4% em 2018, será só em 2021 que o PIB per capita brasileiro poderá chegar novamente a R$ 28.500 anuais – nível em que se encontrava em 2014. Qual o custo disso para o bem-estar social do povo brasileiro?

Campanha Mundial contra trabalho infantil tem início nesta semana

Mobilizar 100 milhões de pessoas para lutar por 100 milhões de crianças que vivem em extrema pobreza em situação de trabalho infantil é o objetivo da campanha que será lançada na próxima segunda (12).

A campanha foi idealizada pela Nobel da Paz, Kailash Satyarthi e, no Brasil, foi coordenada pela ‘Campanha Nacional pelo Direito à Educação’ com parceria temática do ‘Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI)’, no qual a CUT faz parte.

Centenas de milhões de crianças estão nesse exato momento trabalhando, e não estão usufruindo de seus direitos à educação, saúde e lazer. De acordo com dados da UNICEF, estima-se que aproximadamente 168 milhões de crianças sejam vítimas de trabalho infantil em todo o mundo.

O trabalho infantil é qualquer tipo de trabalho exercido por crianças abaixo da idade mínima legalmente estabelecida de acordo com a legislação de cada país e é uma grave violação aos Direitos Humanos de crianças e adolescentes.

A idade mínima para o trabalho no Brasil é de 16 anos. Abaixo dos 18 anos, é proibido o trabalho noturno, perigoso e degradante. A única exceção é para a aprendizagem, que pode ocorrer a partir dos 14 anos. Para ser aprendiz, o adolescente precisa frequentar a escola e ter bom rendimento.

De acordo com os últimos dados sobre o tema levantados pelo IBGE/PNAD em 2015, havia 2,7 milhões de pessoas de 5 a 17 anos de idade ocupadas e comparando com os números de 2014 houve uma redução de 19,8%.

Mas para a secretária executiva do FNPETI, Isa Oliveira, o país não tem nada a comemorar. Ela explicou que ao mesmo tempo em que houve essa redução de crianças ocupadas também reduziu o número de aprendizes. Outro fator é que na mesma pesquisa no recorte sobre o campo, há três anos cresce o número de crianças entre 5 e 9 anos trabalhando no campo.

“O Fórum tem a responsabilidade de acompanhar e monitorar estes dados. O recorte dos números pode ser uma situação secundária, mas não é. É bem sério”, explicou Isa.

Mesmo com a redução nos números, o Brasil, que é um dos países signatários da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no combate e enfrentamento ao trabalho infantil como violação dos Direitos Humanos das crianças e adolescentes, não cumpriu a meta de acabar com as piores formas de trabalho infantil até 2016, compromisso firmado no plano de ação global em 2013.

A secretária Nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos, Jandyra Uehara lembrou que Brasil também está longe de cumprir as metas para alcançar a proposta apresentada pela agenda do milênio da ONU (Organização das Nações Unidas) que prevê em suas metas a erradicação do trabalho infantil em 2030.

Jandyra destaca as medidas tomadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer, como a aprovação de projetos de lei como o que estabeleceu um teto de gasto social para o Estado promovendo ajustes e cortando os investimentos nas áreas de saúde, educação e assistência social, a aprovação da lei que permite a terceirização em todas as atividades e a apresentação de propostas que irão promover reformas na previdência e na legislação trabalhista, para ela são exemplos de que o Brasil está regredindo e as condições de trabalho vão piorar e afirma que o Brasil caminha na contramão da superação do trabalho infantil.

“No caso dos direitos das crianças e adolescentes isto não é diferente, hoje estão em discussão e com possibilidade de aprovação projetos que reduzem a idade penal e a idade para o inicio do trabalho, fazendo o Brasil retroceder nesta matéria e consequentemente em várias outras que ignora os direitos humanos”, contou.

Segundo Jandyra, o grande desafio para erradicação total do trabalho infantil, além de se acabar com a pobreza, promover melhores condições de vida e melhores condições para o trabalho, é a conscientização de todas as pessoas sobre as condições peculiares das crianças e adolescentes, para por fim à naturalização do trabalho infantil, que permeia os conceitos culturais de nossa sociedade que reafirma que o trabalho é importante, mas na idade certa.

“A erradicação do trabalho infantil é fundamental para deter o processo de reprodução das desigualdades.”, finalizou Jandya.

Para a diretora Executiva da CUT, Ângela Maria de Melo é necessário a existência de Políticas que promova a distribuição de renda, a diminuição do desemprego, a melhoria das condições de vida com saúde e educação pública de qualidade. Com lazer,cultura ,esporte, justiça, políticas que possam quebrar esse ciclo familiar do Trabalho Infantil.

“A CUT sempre esteve na luta do combate ao trabalho infantil, pressionando os governos. Para a maior central do Brasil a determinação política e ações concretas dos governos federal e estaduais, com o apoio das organizações da sociedade civil, como o Fórum Nacional e Fóruns estaduais de prevenção e combate ao Trabalho infantil, do movimento sindical, é possível sair da triste realidade atual e recuperar a infância e a educação”, contou.

Fonte: Fecesc

ARTIGO: Um país que não tem dignidade não sente indignação

Por Aldo Fornazieri / Professor da Escola de Sociologia e Política

O presidente da República foi flagrado cometendo uma série de crimes e as provas foram transmitidas para todo o país. Com exceção de um protesto aqui, outro ali, a vida seguiu em sua trágica normalidade. Em muitos outros países o presidente teria que renunciar imediatamente e, quiçá, estaria preso. Se resistisse, os palácios estariam cercados por milhares de pessoas e milhões se colocariam nas ruas até a saída de tal criminoso, pois as instituições políticas são sagradas, por expressarem a dignidade e a moralidade nacional.

Aqui não. No Brasil tudo é possível. Grupos criminosos podem usar das instituições do poder ao seu bel prazer. Afinal de contas, no Brasil nunca tivemos república. Até mesmo a oposição, que ontem foi apeada do governo, dá de ombros e muitos chegam a suspeitar que a denúncia contra Temer é um golpe dentro do golpe. Que existem vários interesses em jogo na denúncia, qualquer pessoa razoavelmente informada sabe. Mas daí adotar posturas passivas em face da existência de uma quadrilha no comando do país significa pouco se importar com os destinos do Brasil e de seu povo, priorizando mais o cálculo político de partidos e grupos particulares.

O Brasil tem uma unidade política e territorial, mas não tem alma, não tem caráter, não tem dignidade e não tem um povo. Somos uma soma de partes desconexas. A unidade política e territorial foi alcançada às custas da violência dos poderosos, dos colonizadores, dos bandeirantes, dos escravocratas do Império, dos coronéis da Primeira República, dos industriais que amalgamaram as paredes de suas empresas com o suor e o sangue dos trabalhadores, com a miséria e a degradação servil dos lavradores pobres.

Índios foram massacrados; escravos foram mortos e açoitados; a dissidência foi dizimada; as lutas sociais foram tratadas com baionetas, cassetetes e balas. A nossa alma, a alma brasileira, foi ganhando duas texturas: submissão e indiferença. Não temos valores, não temos vínculos societários, não temos costumes que amalgamam o nosso caráter e somos o povo, dentre todas as Américas, que tem o menor índice de confiabilidade interpessoal, como mostram várias pesquisas.

Na trágica normalidade da nossa história não nos revoltamos contra o nosso dominador colonial. Ele nos concedeu a Independência como obra de sua graça. Não fizemos uma guerra civil contra os escravocratas e não fizemos uma revolução republicana. A dor e os cadáveres foram se amontoando ao longo dos tempos e o verde de nossas florestas foi se tingindo com sangue dos mais fracos, dos deserdados. Hoje mesmo, não nos indignamos com as 60 mil mortes violentas anuais ou com as 50 mil vítimas fatais no trânsito e os mais de 200 mil feridos graves. Não nos importamos com as mortes dos jovens pobres e negros das periferias e com a assustadora violência contra as mulheres. Tudo é normal, tragicamente normal.

Quando nós, os debaixo, chegamos ao poder, sentamos à mesa dos nossos inimigos, brindamos, comemoramos e libamos com eles e, no nosso deslumbramento, acreditamos que estamos definitivamente aceitos na Casa Grande dos palácios. Só nos damos conta do nosso vergonhoso engano no dia em que os nossos inimigos nos apunhalam pelas constas e nos jogam dos palácios.

Nunca fomos uma democracia racial e, no fundo, nunca fomos democracia nenhuma, pois sempre nos faltou o critério irredutível da igualdade e da sociedade justa para que pudéssemos ostentar o título de democracia. Nos contentamos com os surtos de crescimento econômico e com as migalhas das parcas reduções das desigualdades e estufamos o peito para dizer que alcançamos a redenção ou que estamos no caminho dela. No governo, entregamos bilhões de reais aos campões nacionais sem perceber que são velhacos, que embolsam o dinheiro e que são os primeiros a dar as costas ao Brasil e ao seu povo.

No Brasil, a mobilidade social é exígua, as estratificações sociais são abissais e não somos capazes de transformar essas diferenças em lutas radicais, em insurreições, em revoltas. Preferimos sentar à mesa dos nossos inimigos e negociar com eles, de forma subalterna. Aceitamos os pactos dos privilégios dos de cima e, em nome da tese imoral de que os fins justificam os meios, nos corrompemos como todos e aceitamos o assalto sistemático do capital aos recursos públicos, aos orçamentos, aos fundos públicos, aos recursos subsidiados e, ainda, aliviamos os ricos e penalizamos os pobres em termos tributários.

Quando percebemos os nossos enganos, nos indignamos mais com palavras jogadas ao vento do que com atitudes e lutas. Boa parte das nossas lutas não passam de piqueniques cívicos nas avenidas das grandes cidades. E, em nome de tudo isto, das auto-justificativas para os nossos enganos, sentimos um alívio na consciência, rejeitamos os sentimentos de culpa, mas não somos capazes de perceber que não temos alma, não temos caráter, não temos moral e não temos coragem.

Aceitamos a destruição das nossas florestas e da nosso biodiversidade, o envenenamento das nossas águas e das nossas terras porque temos a mesma alma dominada pela cobiça de nos sentirmos bem quando estamos sentados à mesa dos senhores e porque queremos alcançar o fruto sem plantar a árvore. Se algum lampejo de consciência, de alma ou de caráter nacional existe, isto é coisa restrita à vida intelectual, não do povo. O povo não tem nenhuma referência significativa em nossa história, em algum herói brasileiro, em algum pai-fundador, em alguma proclamação de independência ou república, em algum texto constitucional em algum líder exemplar.

Somos governados pela submissão e pela indiferença. Não somos capazes de olhar à nossa volta e de perceber as nossas tragédias. Nos condoemos com as tragédias do além-mar, mas não com as nossas. Não temos a dignidade dos sentimentos humanos da solidariedade, da piedade, da compaixão. Não somos capazes de nos indignar e não seremos capazes de gerar revoltas, insurreições, mesmo que pacíficas. Mesmo que pacíficas, mas com força suficiente para mudar os rumos do nosso país. Se não nos indignarmos e não gerarmos atitudes fortes, não teremos uma comunidade de destino, não teremos uma alma com um povo, não geraremos um futuro digno e a história nos verá como gerações de incapazes, de indiferentes e de pessoas que não se preocuparam em imprimir um conteúdo significativo na sua passagem pela vida na Terra.

Artigo: Precisam quebrar a principal linha de resistência dos trabalhadores

Por José Álvaro de Lima Cardoso, economista do Dieese

O grupo que tomou o poder à força em 2016 e que, cindido e denunciado até o talo, luta para mantê-lo neste momento, vem destruindo a democracia e as instituições visando implantar um projeto ultraneoliberal, que não se realizou em plenitude em nenhuma parte do mundo. Dentre os objetivos básicos deste grupo está o de reduzir ao máximo a ação do Estado brasileiro em todas as suas dimensões. Não há direitos sociais sem um Estado que possa garanti-los na prática. Por isso quando votaram a Emenda Constitucional 95 (a PEC da Morte), que congela gastos sociais por 20 anos, no fundo, estavam agredindo a própria soberania do país.

Não há país soberano com um povo que não tenha o mínimo de sossego e bem-estar social. O congelamento dos gastos sociais por 20 anos, para, conforme foi revelado, pagar ainda mais juros da dívida pública, significa que os golpistas não queriam apenas aprovar uma medida absurda, que não foi adotada em nenhuma parte do mundo. Mais do que isso, queriam obrigar os futuros governos a executarem as políticas neoliberais ultrarradicais que vêm implantando. É um projeto de destruição de direitos e soberania, pensado para durar décadas.

Nessa política de subserviência e de entreguismo extremos, não cabe a indústria nacional, tampouco direitos ou mesmo políticas de Seguridade Social. Menos ainda estatais em setores estratégicos, daí o interesse em privatizar o que restou de patrimônio público (CEF, BB, BNDES, Petrobrás, estatais estaduais). Fundamental também entregar a joia da Coroa, o pré-sal, que mudou a inserção do Brasil no mundo, na área energética. Por isso é fundamental desmontar a Petrobrás como já vêm fazendo os golpistas desde a primeira hora de governo.

Para os sindicatos de trabalhadores e para a esmagadora maioria dos brasileiros, a luta contra o golpe não significa uma defesa abstrata ou teórica da democracia. Trata-se de uma questão de sobrevivência. Ou a gente acaba com o golpe ou o golpe acaba com o movimento sindical, com a aposentadoria, com as estatais, com a Petrobrás.

Acabam com o Brasil. Fecham os partidos democráticos e liquidam o pouco que restou de democracia. Não é uma posição teórica ou meramente ideológica. É questão de vida ou morte (inclusive física porque há uma evidente restrição da democracia desde o golpe). A restrição da democracia não ocorre por acaso. Como calar 150 ou 160 milhões de brasileiros que se recusam a ir para o matadouro como gado, com comportamento bovino, em face da destruição do país? Para 90% ou 95% da população, quem pode prescindir da seguridade social, dos serviços públicos, das leis trabalhistas, dos recursos do pré-sal? Não é por acaso que Temer é o presidente que tem a menor taxa de aprovação da história.

A radicalização advinda do golpe de Estado está evidenciando que, ao fim e ao cabo, quem pode defender os trabalhadores são suas organizações, por mais limitações que ainda tenham. A mobilização popular organizada pelos sindicatos e movimento popular foi decisiva inclusive na mudança da conjuntura, provocando rachaduras no bloco golpista. Se não fossem as mobilizações, que agora parecem ter agregado uma parte da classe trabalhadora que estava apática, os golpistas não teriam rachado, fenômeno que abre uma brecha importante para a luta do povo. Com todos os poderes da República envolvidos até o pescoço no golpe, quem ainda pode defender os trabalhadores contra o golpismo e todas as suas consequências são as organizações sindicais e sociais. Por isso está no centro da estratégia do inimigo a destruição da principal linha de resistência dos trabalhadores.

Uma cena de guerra contra uma gente que luta

por Sílvia Medeiros/ CUT-SC

Um dia planejado há meses. 24 de maio, data escolhida pelas centrais para ocupar Brasília. Foram mais de 500 ônibus da CUT, 1000 veículos ao total, que vieram de diferentes regiões do país, mais de 30 só de Santa Catarina, seguindo à capital federal protestar contra as reformas da previdência e trabalhista e, depois dos escândalos envolvendo a delação do empresário da JBS, o ato somou mais as pautas da renúncia imediata do Temer e pedido de eleições diretas para presidente.

Ao amanhecer o dia, a capital federal se viu ocupada por ônibus que se concentraram no estádio Mané Garrincha e de lá, após o almoço, os cerca de 200 mil manifestantes seguiram em marcha até a esplanada dos Ministérios. A intenção dos trabalhadores  que participavam do ato era de mostrar a indignação dos brasileiros e brasileiras frente às reformas sugeridas por Temer e que tramitam no Congresso Nacional. O coro do “não retire nossos direitos” pode ser ouvido, longe dos cinco caminhões de som que seguiam a passeata. Fazia um sol forte, muitos haviam viajado por dias para estar ali, mas a energia era contagiante. Mal sabiam os trabalhadores o que os esperava em frente ao Congresso Nacional.

As pessoas que estavam à frente do ato já tinham chego na esplanada e parte da passeata nem tinha saído totalmente do estádio Mané Garrincha. Bastou o povo se aproximar do gramado que fica em frente ao Congresso Nacional para começar a ouvir as bombas.  O pelotão da Policia Militar, junto com a Guarda Nacional, fez um paredão e cercou totalmente o acesso das pessoas ao Congresso Nacional, além de afastar o povo mais de 1 quilômetro longe do prédio. Não foi permitido acessar o gramado que fica em frente.

Muita bomba de efeito moral foi jogada pela polícia, a repressão não foi somente ao pelotão de frente que revidava as agressões policiais, mas todos e todas que tentavam se aproximar do caminhão de som principal. Parecia um campo minado, pessoas corriam para todos os lados, alguns caiam ou se deitavam pra se proteger e não inalar tanta fumaça. A polícia cessava por alguns minutos, o povo retornava para próximo caminhão e a policia atacava novamente. Essa cena de guerra se repetiu por mais de três horas, tempo que os manifestantes ficaram resistindo e mostrando a força dos trabalhadores.

Neste momento fomos informados de que o presidente Michel Temer fez um decreto autorizando o uso das forças armadas para barrar a manifestação. As “armas” de defesa dos trabalhadores e estudantes estava acabando, como o vinagre e o leite magnésio, armas vitais utilizadas pra conseguir respirar no meio de tanta bomba. Era hora de recuar: Temer chamou o exército para guerrilhar contra trabalhadores e estudantes. Contra gente comum, que tentava exercer o seu direito de manifestação. O povo retorna em marcha ao ponto que tudo iniciou. Helicópteros e a tropa de choque acompanham até o final da caminhada. A cena é de guerra, as pessoas com rostos manchados pelos produtos passados para suportar o efeito do gás de pimenta. Corpos cansados, que não se conformavam com a forma violenta com que foram recebidos.

Nesse momento não dava pra mensurar a grande vitória e o dia histórico que aqueles milhares de trabalhadores tinham protagonizado. Apesar de tudo, o povo voltou cantando, de braço erguido e ecoando uma energia que passava de um a um. Ao chegar no ponto de concentração, foram chegando as notícias dos feridos. A brutalidade da polícia havia feito vítimas graves, como caso do estudante catarinense Vitor Rodrigues Fregulia do Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC de Araranguá, que teve partes da mão direita decepada ao se defender de uma das bombas arremessadas pela polícia.

O dia foi chegando ao fim, a polícia permaneceu por um longo tempo nas ruas, passando em alta velocidade e na contra mão com as viaturas, os helicópteros só pararam de sobrevoar a região quando o último ônibus de manifestantes se retirou de Brasília. Para amedrontar os trabalhadores e trabalhadoras que não concordam com Temer e o querem fora da presidência, a polícia serviu de braço de repressão. Usou de uma força desproporcional contra um povo desarmado, que estava lá para lutar pelos seus direitos.

Dia 24 de maio: um dia que entrará para história da classe trabalhadora, todos e todas que lá estiveram mostraram resistência e que não aceitarão retirada de direitos e o que Brasil continue sendo governado por um presidente envolvido em escândalos de corrupção. A repressão violenta feita pela Policia do Distrito Federal só colocou mais energia nos trabalhadores e trabalhadoras, que depois de toda a injustiça praticada no ato, afirmam que não saíram das ruas até que sejam retirados todos os projetos de reformas.


O Sindicato dos Comerciários esteve presente neste momento histórico com cinco representantes. A diretora Girlaine Máximo relata a verdadeira zona de guerra contra os trabalhadores e trabalhadoras. “Por causa de alguns mascarados a polícia foi autorizada a atirar bombas e tiros contra cerca de 200 mil trabalhadores que estavam ali defendendo seus direitos. Foi uma covardia. E ao mesmo tempo, ganhamos ainda mais força para continuar na luta”, observa.

Fora Temer!

Diretas já!

REAJUSTE E NOVO PISO SALARIAL – 2016/2017

Circular n° 007/17

Tubarão, 24 de maio de 2017.

AOS ESCRITÓRIOS CONTÁBEIS E EMPRESAS DO COMÉRCIO DE TUBARÃO E REGIÃO

Ref.: REAJUSTE E NOVO PISO SALARIAL – 2016/2017

Prezados Senhores:

Tendo em vista o fechamento da CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO – 2016/2017, vimos pelo presente informar os Pisos e Reajustes que devem ser praticados retroativamente a partir de 1º de novembro de 2016, na folha de maio de 2017.

OBS: As condições abaixo foram acordadas entre os sindicatos laboral e patronal e já se encontram no sistema do Ministério do Trabalho e Emprego – Mediador, sob o pedido de registro n° MR027229/2017.

Milhares tomam Brasília por novas eleições e é brutalmente agredida

Além de Diretas Já, o ato exigia o fim das reformas aceleradas pelo governo Temer e a saída imediata do presidente.

A truculência policial foi a resposta dada pelo poder público aos milhares de jovens, homens e mulheres, trabalhadores de todos os cantos do país que vieram dizer a Temer que seu governo golpista chegou ao fim e que o Brasil exige eleições diretas para a Presidência da República.

Aproximadamente 200 mil pessoas de todas as regiões do país foram repudiar as reformas trabalhistas e previdenciária que se encontram em tramitação acelerada no Congresso Nacional.

A luta por eleições diretas para a escolha de um novo presidente ocupou lugar central na pauta do ato, especialmente após as novas e graves denúncias envolvendo Michel Temer e seus aliados.

O que era para ser uma grande festa da democracia, transformou-se em uma selvageria protagonizada pela Polícia Militar.

A repressão seguiu ao longo de toda a tarde e início da noite. Para completar, o Ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE), anunciou em coletiva que militares assumiriam a segurança em Brasília até o dia 31 de maio.

Estamos diante de um futuro incerto. É hora de resistir nas redes e nas ruas. Sem democracia não há futuro!

 

Fonte: Mídia Ninja