ARTIGO: Um país que não tem dignidade não sente indignação

Por Aldo Fornazieri / Professor da Escola de Sociologia e Política

O presidente da República foi flagrado cometendo uma série de crimes e as provas foram transmitidas para todo o país. Com exceção de um protesto aqui, outro ali, a vida seguiu em sua trágica normalidade. Em muitos outros países o presidente teria que renunciar imediatamente e, quiçá, estaria preso. Se resistisse, os palácios estariam cercados por milhares de pessoas e milhões se colocariam nas ruas até a saída de tal criminoso, pois as instituições políticas são sagradas, por expressarem a dignidade e a moralidade nacional.

Aqui não. No Brasil tudo é possível. Grupos criminosos podem usar das instituições do poder ao seu bel prazer. Afinal de contas, no Brasil nunca tivemos república. Até mesmo a oposição, que ontem foi apeada do governo, dá de ombros e muitos chegam a suspeitar que a denúncia contra Temer é um golpe dentro do golpe. Que existem vários interesses em jogo na denúncia, qualquer pessoa razoavelmente informada sabe. Mas daí adotar posturas passivas em face da existência de uma quadrilha no comando do país significa pouco se importar com os destinos do Brasil e de seu povo, priorizando mais o cálculo político de partidos e grupos particulares.

O Brasil tem uma unidade política e territorial, mas não tem alma, não tem caráter, não tem dignidade e não tem um povo. Somos uma soma de partes desconexas. A unidade política e territorial foi alcançada às custas da violência dos poderosos, dos colonizadores, dos bandeirantes, dos escravocratas do Império, dos coronéis da Primeira República, dos industriais que amalgamaram as paredes de suas empresas com o suor e o sangue dos trabalhadores, com a miséria e a degradação servil dos lavradores pobres.

Índios foram massacrados; escravos foram mortos e açoitados; a dissidência foi dizimada; as lutas sociais foram tratadas com baionetas, cassetetes e balas. A nossa alma, a alma brasileira, foi ganhando duas texturas: submissão e indiferença. Não temos valores, não temos vínculos societários, não temos costumes que amalgamam o nosso caráter e somos o povo, dentre todas as Américas, que tem o menor índice de confiabilidade interpessoal, como mostram várias pesquisas.

Na trágica normalidade da nossa história não nos revoltamos contra o nosso dominador colonial. Ele nos concedeu a Independência como obra de sua graça. Não fizemos uma guerra civil contra os escravocratas e não fizemos uma revolução republicana. A dor e os cadáveres foram se amontoando ao longo dos tempos e o verde de nossas florestas foi se tingindo com sangue dos mais fracos, dos deserdados. Hoje mesmo, não nos indignamos com as 60 mil mortes violentas anuais ou com as 50 mil vítimas fatais no trânsito e os mais de 200 mil feridos graves. Não nos importamos com as mortes dos jovens pobres e negros das periferias e com a assustadora violência contra as mulheres. Tudo é normal, tragicamente normal.

Quando nós, os debaixo, chegamos ao poder, sentamos à mesa dos nossos inimigos, brindamos, comemoramos e libamos com eles e, no nosso deslumbramento, acreditamos que estamos definitivamente aceitos na Casa Grande dos palácios. Só nos damos conta do nosso vergonhoso engano no dia em que os nossos inimigos nos apunhalam pelas constas e nos jogam dos palácios.

Nunca fomos uma democracia racial e, no fundo, nunca fomos democracia nenhuma, pois sempre nos faltou o critério irredutível da igualdade e da sociedade justa para que pudéssemos ostentar o título de democracia. Nos contentamos com os surtos de crescimento econômico e com as migalhas das parcas reduções das desigualdades e estufamos o peito para dizer que alcançamos a redenção ou que estamos no caminho dela. No governo, entregamos bilhões de reais aos campões nacionais sem perceber que são velhacos, que embolsam o dinheiro e que são os primeiros a dar as costas ao Brasil e ao seu povo.

No Brasil, a mobilidade social é exígua, as estratificações sociais são abissais e não somos capazes de transformar essas diferenças em lutas radicais, em insurreições, em revoltas. Preferimos sentar à mesa dos nossos inimigos e negociar com eles, de forma subalterna. Aceitamos os pactos dos privilégios dos de cima e, em nome da tese imoral de que os fins justificam os meios, nos corrompemos como todos e aceitamos o assalto sistemático do capital aos recursos públicos, aos orçamentos, aos fundos públicos, aos recursos subsidiados e, ainda, aliviamos os ricos e penalizamos os pobres em termos tributários.

Quando percebemos os nossos enganos, nos indignamos mais com palavras jogadas ao vento do que com atitudes e lutas. Boa parte das nossas lutas não passam de piqueniques cívicos nas avenidas das grandes cidades. E, em nome de tudo isto, das auto-justificativas para os nossos enganos, sentimos um alívio na consciência, rejeitamos os sentimentos de culpa, mas não somos capazes de perceber que não temos alma, não temos caráter, não temos moral e não temos coragem.

Aceitamos a destruição das nossas florestas e da nosso biodiversidade, o envenenamento das nossas águas e das nossas terras porque temos a mesma alma dominada pela cobiça de nos sentirmos bem quando estamos sentados à mesa dos senhores e porque queremos alcançar o fruto sem plantar a árvore. Se algum lampejo de consciência, de alma ou de caráter nacional existe, isto é coisa restrita à vida intelectual, não do povo. O povo não tem nenhuma referência significativa em nossa história, em algum herói brasileiro, em algum pai-fundador, em alguma proclamação de independência ou república, em algum texto constitucional em algum líder exemplar.

Somos governados pela submissão e pela indiferença. Não somos capazes de olhar à nossa volta e de perceber as nossas tragédias. Nos condoemos com as tragédias do além-mar, mas não com as nossas. Não temos a dignidade dos sentimentos humanos da solidariedade, da piedade, da compaixão. Não somos capazes de nos indignar e não seremos capazes de gerar revoltas, insurreições, mesmo que pacíficas. Mesmo que pacíficas, mas com força suficiente para mudar os rumos do nosso país. Se não nos indignarmos e não gerarmos atitudes fortes, não teremos uma comunidade de destino, não teremos uma alma com um povo, não geraremos um futuro digno e a história nos verá como gerações de incapazes, de indiferentes e de pessoas que não se preocuparam em imprimir um conteúdo significativo na sua passagem pela vida na Terra.

Artigo: Precisam quebrar a principal linha de resistência dos trabalhadores

Por José Álvaro de Lima Cardoso, economista do Dieese

O grupo que tomou o poder à força em 2016 e que, cindido e denunciado até o talo, luta para mantê-lo neste momento, vem destruindo a democracia e as instituições visando implantar um projeto ultraneoliberal, que não se realizou em plenitude em nenhuma parte do mundo. Dentre os objetivos básicos deste grupo está o de reduzir ao máximo a ação do Estado brasileiro em todas as suas dimensões. Não há direitos sociais sem um Estado que possa garanti-los na prática. Por isso quando votaram a Emenda Constitucional 95 (a PEC da Morte), que congela gastos sociais por 20 anos, no fundo, estavam agredindo a própria soberania do país.

Não há país soberano com um povo que não tenha o mínimo de sossego e bem-estar social. O congelamento dos gastos sociais por 20 anos, para, conforme foi revelado, pagar ainda mais juros da dívida pública, significa que os golpistas não queriam apenas aprovar uma medida absurda, que não foi adotada em nenhuma parte do mundo. Mais do que isso, queriam obrigar os futuros governos a executarem as políticas neoliberais ultrarradicais que vêm implantando. É um projeto de destruição de direitos e soberania, pensado para durar décadas.

Nessa política de subserviência e de entreguismo extremos, não cabe a indústria nacional, tampouco direitos ou mesmo políticas de Seguridade Social. Menos ainda estatais em setores estratégicos, daí o interesse em privatizar o que restou de patrimônio público (CEF, BB, BNDES, Petrobrás, estatais estaduais). Fundamental também entregar a joia da Coroa, o pré-sal, que mudou a inserção do Brasil no mundo, na área energética. Por isso é fundamental desmontar a Petrobrás como já vêm fazendo os golpistas desde a primeira hora de governo.

Para os sindicatos de trabalhadores e para a esmagadora maioria dos brasileiros, a luta contra o golpe não significa uma defesa abstrata ou teórica da democracia. Trata-se de uma questão de sobrevivência. Ou a gente acaba com o golpe ou o golpe acaba com o movimento sindical, com a aposentadoria, com as estatais, com a Petrobrás.

Acabam com o Brasil. Fecham os partidos democráticos e liquidam o pouco que restou de democracia. Não é uma posição teórica ou meramente ideológica. É questão de vida ou morte (inclusive física porque há uma evidente restrição da democracia desde o golpe). A restrição da democracia não ocorre por acaso. Como calar 150 ou 160 milhões de brasileiros que se recusam a ir para o matadouro como gado, com comportamento bovino, em face da destruição do país? Para 90% ou 95% da população, quem pode prescindir da seguridade social, dos serviços públicos, das leis trabalhistas, dos recursos do pré-sal? Não é por acaso que Temer é o presidente que tem a menor taxa de aprovação da história.

A radicalização advinda do golpe de Estado está evidenciando que, ao fim e ao cabo, quem pode defender os trabalhadores são suas organizações, por mais limitações que ainda tenham. A mobilização popular organizada pelos sindicatos e movimento popular foi decisiva inclusive na mudança da conjuntura, provocando rachaduras no bloco golpista. Se não fossem as mobilizações, que agora parecem ter agregado uma parte da classe trabalhadora que estava apática, os golpistas não teriam rachado, fenômeno que abre uma brecha importante para a luta do povo. Com todos os poderes da República envolvidos até o pescoço no golpe, quem ainda pode defender os trabalhadores contra o golpismo e todas as suas consequências são as organizações sindicais e sociais. Por isso está no centro da estratégia do inimigo a destruição da principal linha de resistência dos trabalhadores.

Uma cena de guerra contra uma gente que luta

por Sílvia Medeiros/ CUT-SC

Um dia planejado há meses. 24 de maio, data escolhida pelas centrais para ocupar Brasília. Foram mais de 500 ônibus da CUT, 1000 veículos ao total, que vieram de diferentes regiões do país, mais de 30 só de Santa Catarina, seguindo à capital federal protestar contra as reformas da previdência e trabalhista e, depois dos escândalos envolvendo a delação do empresário da JBS, o ato somou mais as pautas da renúncia imediata do Temer e pedido de eleições diretas para presidente.

Ao amanhecer o dia, a capital federal se viu ocupada por ônibus que se concentraram no estádio Mané Garrincha e de lá, após o almoço, os cerca de 200 mil manifestantes seguiram em marcha até a esplanada dos Ministérios. A intenção dos trabalhadores  que participavam do ato era de mostrar a indignação dos brasileiros e brasileiras frente às reformas sugeridas por Temer e que tramitam no Congresso Nacional. O coro do “não retire nossos direitos” pode ser ouvido, longe dos cinco caminhões de som que seguiam a passeata. Fazia um sol forte, muitos haviam viajado por dias para estar ali, mas a energia era contagiante. Mal sabiam os trabalhadores o que os esperava em frente ao Congresso Nacional.

As pessoas que estavam à frente do ato já tinham chego na esplanada e parte da passeata nem tinha saído totalmente do estádio Mané Garrincha. Bastou o povo se aproximar do gramado que fica em frente ao Congresso Nacional para começar a ouvir as bombas.  O pelotão da Policia Militar, junto com a Guarda Nacional, fez um paredão e cercou totalmente o acesso das pessoas ao Congresso Nacional, além de afastar o povo mais de 1 quilômetro longe do prédio. Não foi permitido acessar o gramado que fica em frente.

Muita bomba de efeito moral foi jogada pela polícia, a repressão não foi somente ao pelotão de frente que revidava as agressões policiais, mas todos e todas que tentavam se aproximar do caminhão de som principal. Parecia um campo minado, pessoas corriam para todos os lados, alguns caiam ou se deitavam pra se proteger e não inalar tanta fumaça. A polícia cessava por alguns minutos, o povo retornava para próximo caminhão e a policia atacava novamente. Essa cena de guerra se repetiu por mais de três horas, tempo que os manifestantes ficaram resistindo e mostrando a força dos trabalhadores.

Neste momento fomos informados de que o presidente Michel Temer fez um decreto autorizando o uso das forças armadas para barrar a manifestação. As “armas” de defesa dos trabalhadores e estudantes estava acabando, como o vinagre e o leite magnésio, armas vitais utilizadas pra conseguir respirar no meio de tanta bomba. Era hora de recuar: Temer chamou o exército para guerrilhar contra trabalhadores e estudantes. Contra gente comum, que tentava exercer o seu direito de manifestação. O povo retorna em marcha ao ponto que tudo iniciou. Helicópteros e a tropa de choque acompanham até o final da caminhada. A cena é de guerra, as pessoas com rostos manchados pelos produtos passados para suportar o efeito do gás de pimenta. Corpos cansados, que não se conformavam com a forma violenta com que foram recebidos.

Nesse momento não dava pra mensurar a grande vitória e o dia histórico que aqueles milhares de trabalhadores tinham protagonizado. Apesar de tudo, o povo voltou cantando, de braço erguido e ecoando uma energia que passava de um a um. Ao chegar no ponto de concentração, foram chegando as notícias dos feridos. A brutalidade da polícia havia feito vítimas graves, como caso do estudante catarinense Vitor Rodrigues Fregulia do Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC de Araranguá, que teve partes da mão direita decepada ao se defender de uma das bombas arremessadas pela polícia.

O dia foi chegando ao fim, a polícia permaneceu por um longo tempo nas ruas, passando em alta velocidade e na contra mão com as viaturas, os helicópteros só pararam de sobrevoar a região quando o último ônibus de manifestantes se retirou de Brasília. Para amedrontar os trabalhadores e trabalhadoras que não concordam com Temer e o querem fora da presidência, a polícia serviu de braço de repressão. Usou de uma força desproporcional contra um povo desarmado, que estava lá para lutar pelos seus direitos.

Dia 24 de maio: um dia que entrará para história da classe trabalhadora, todos e todas que lá estiveram mostraram resistência e que não aceitarão retirada de direitos e o que Brasil continue sendo governado por um presidente envolvido em escândalos de corrupção. A repressão violenta feita pela Policia do Distrito Federal só colocou mais energia nos trabalhadores e trabalhadoras, que depois de toda a injustiça praticada no ato, afirmam que não saíram das ruas até que sejam retirados todos os projetos de reformas.


O Sindicato dos Comerciários esteve presente neste momento histórico com cinco representantes. A diretora Girlaine Máximo relata a verdadeira zona de guerra contra os trabalhadores e trabalhadoras. “Por causa de alguns mascarados a polícia foi autorizada a atirar bombas e tiros contra cerca de 200 mil trabalhadores que estavam ali defendendo seus direitos. Foi uma covardia. E ao mesmo tempo, ganhamos ainda mais força para continuar na luta”, observa.

Fora Temer!

Diretas já!

REAJUSTE E NOVO PISO SALARIAL – 2016/2017

Circular n° 007/17

Tubarão, 24 de maio de 2017.

AOS ESCRITÓRIOS CONTÁBEIS E EMPRESAS DO COMÉRCIO DE TUBARÃO E REGIÃO

Ref.: REAJUSTE E NOVO PISO SALARIAL – 2016/2017

Prezados Senhores:

Tendo em vista o fechamento da CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO – 2016/2017, vimos pelo presente informar os Pisos e Reajustes que devem ser praticados retroativamente a partir de 1º de novembro de 2016, na folha de maio de 2017.

OBS: As condições abaixo foram acordadas entre os sindicatos laboral e patronal e já se encontram no sistema do Ministério do Trabalho e Emprego – Mediador, sob o pedido de registro n° MR027229/2017.

Milhares tomam Brasília por novas eleições e é brutalmente agredida

Além de Diretas Já, o ato exigia o fim das reformas aceleradas pelo governo Temer e a saída imediata do presidente.

A truculência policial foi a resposta dada pelo poder público aos milhares de jovens, homens e mulheres, trabalhadores de todos os cantos do país que vieram dizer a Temer que seu governo golpista chegou ao fim e que o Brasil exige eleições diretas para a Presidência da República.

Aproximadamente 200 mil pessoas de todas as regiões do país foram repudiar as reformas trabalhistas e previdenciária que se encontram em tramitação acelerada no Congresso Nacional.

A luta por eleições diretas para a escolha de um novo presidente ocupou lugar central na pauta do ato, especialmente após as novas e graves denúncias envolvendo Michel Temer e seus aliados.

O que era para ser uma grande festa da democracia, transformou-se em uma selvageria protagonizada pela Polícia Militar.

A repressão seguiu ao longo de toda a tarde e início da noite. Para completar, o Ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE), anunciou em coletiva que militares assumiriam a segurança em Brasília até o dia 31 de maio.

Estamos diante de um futuro incerto. É hora de resistir nas redes e nas ruas. Sem democracia não há futuro!

 

Fonte: Mídia Ninja

Reaja agora! Ou nossos direitos vão acabar!

Confira o que acontecerá se a Reforma Trabalhista for aprovada e conheça a verdade sobre este verdadeiro desastre para o trabalhador brasileiro:

 

 

 

Segue o arquivo deste material para impressão (em pdf): folheto-clt-cut-web

CONVENÇÃO COLETIVA É FECHADA. CONFIRA SEU PISO E REAJUSTES

Após entrarmos com ação de dissídio junto à Justiça do Trabalho, por divergências cruciais durante o processo de negociação, finalmente entramos em acordo e, em assembleia, fechamos em definitivo nossa Convenção Coletiva de Trabalho 2016/2017. Aqui, informamos os Pisos e Reajustes que devem ser praticados retroativamente a partir de 1º de novembro de 2016. Lembramos que as diferenças salariais devem ser todas pagas na folha do mês de maio de 2017. Confira:

 

A essência entreguista e subserviente do golpe no Brasil

Por José Álvaro de Lima Cardoso, economista do Dieese

A esta altura do golpe contra a democracia, parece estar claro para a maioria dos brasileiros que o governo Temer é o mais antipopular e antinacional da história da nação. Os usurpadores se aproveitam de uma crise gravíssima, mas conjuntural, para liquidar direitos históricos, obtidos em décadas de lutas. A espinha dorsal da destruição de direitos sociais e trabalhistas (Emenda Constitucional da morte (95); Terceirização sem limites; PEC 287 (destruição da Seguridade Social); Reforma trabalhista), revelou até para os mais ingênuos a natureza profundamente antipopular deste governo.

Hoje fica mais fácil para a população em geral perceber o processo de destruição de direitos do povo em benefício dos super ricos, por ser cada vez mais palpáveis os efeitos das medidas. Mas já não é tão simples detectar a natureza subserviente e antinacional do golpe, mesmo sendo esta a sua mais completa tradução. Nunca houve governo tão entreguista e subserviente quanto este. É líquido e certo que o envolvimento do Império do Norte no golpe está relacionado ao interesse no pré-sal, o que passa pela desmontagem da Petrobrás. A imprensa noticiou recentemente, por exemplo, que as forças armadas norte-americanas irão fazer exercícios militares, inéditos, na Amazônia brasileira. O convite feito pelo Exército Brasileiro é para ser executado na chamada tríplice fronteira amazônica, entre Brasil, Peru e Colômbia, em novembro próximo. A referida operação vem no bojo de novos acordos militares firmados entre as Forças Armadas de Brasil e Estados Unidos e visitas de autoridades americanas a instalações brasileiras com o objetivo de “reaproximar” e “estreitar” as relações militares entre os dois países.

As informações veiculadas na mídia dão um tom de normalidade ao acordo, falam em combate ao tráfico de drogas, ao terrorismo, à corrupção, temas acerca dos quais, em princípio, ninguém poderia ser contra. Mas o fato é que são crescentes os indícios de que os EUA participaram do golpe no Brasil em 2016, com o objetivo cada vez mais evidente de ter maior acesso a matérias primas, principalmente petróleo, mas também água, minerais e a biodiversidade da Amazônia. Em 2013 o governo brasileiro e a Petrobrás foram espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, sigla em inglês), que espionou inclusive e-mais da presidenta da República e seus assessores mais próximos, além da Petrobrás, claro. Fato inclusive que levou ao cancelamento de uma viagem da presidenta aos EUA, prevista para 2013. O objetivo da NSA, que agiu em parceria com a inteligência do Reino Unido, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia, era buscar detalhes da comunicação da presidente com sua equipe.

Um dos aspectos de fundo da atual situação internacional, e dos acontecimentos políticos atuais na América do Sul, é o esgotamento dos recursos naturais dos Estados Unidos e Europa. Governos com algum apreço pelas soberanias dos seus países significam um obstáculo inaceitável para os interesses dos países imperialistas. Sabe-se que após o anúncio das descobertas do Pré-sal, em 2006, os EUA imediatamente anunciaram a reativação da IV Frota da sua marinha, que é encarregada de vigiar o Atlântico Sul. O interesse dos EUA na maior descoberta de petróleo dos últimos 30 anos é fácil de entender. Mas o que está em jogo é mais do que petróleo, trata-se de soberania. Os Estados Unidos não têm interesse em um desenvolvimento autônomo e soberano do Brasil, pelo potencial que tem o país, de rivalizar com os objetivos estratégicos dos EUA na Região. A articulação do Brasil nos BRICS ameaça ainda mais os interesses dos EUA, pela articulação do país com os principais rivais dos EUA na luta pela hegemonia mundial (China e Rússia). Processos como Unasul e CELAC confrontavam os EUA no hemisfério, e novas instituições, como o Banco dos BRICS e o Acordo Contingente de Reservas dos BRICS ajudavam a construir alternativas contra hegemônicas ao Banco Mundial e o FMI, instituições sobre as quais os EUA tem um controle quase absoluto.

Além do aspecto de apropriação das riquezas naturais do Brasil, o golpe tem um forte componente geopolítico, de impedir que o país se torne uma potência regional, com tecnologia, indústria desenvolvida, mercado consumidor amplo e soberania energética. O governo golpista, neste ano, retomou com os Estados Unidos, em segredo, negociações para um acordo sobre o uso de uma base militar brasileira no Maranhão visando o lançamento de foguetes norteamericanos.

Essas negociações, que tinham sido encerradas em 2003, foram retomadas por Serra, ex-ministro das relações exteriores, que prometeu à Chevron desmanchar a Lei de Partilha. A Base de Alcântara é considerada a mais bem localizada do mundo, para o lançamento de foguetes, o que significa, dentre outras vantagens, economia de combustível.

Entre os golpistas a sabujice não tem limites. Os responsáveis pela operação Lava Jato permitem o acesso de órgãos do Estado norte-americano a informações sigilosas, que são utilizadas para atacar e processar judicialmente a Petrobrás e outras empresas brasileiras. Com polpudos salários pagos pelo povo brasileiro, atuam com órgãos dos Estados Unidos, sem qualquer constrangimento contra empresas brasileiras. Atacando inclusive, a indústria eletronuclear, com a prisão do seu mentor e líder maior.

Os EUA sabem da importância estratégica do Brasil para a geopolítica na América do Sul, algo quase natural em função das magnitudes de sua economia, população e território. Ocorre que aquele país imperialista não admite divergências com sua política internacional, principalmente nessa região. O criador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou recentemente que o Brasil é, na América do Sul, o país mais espionado pelos EUA. E isto por duas razões principais, segundo Assange: trata-se da maior economia da América Latina, e que fez recentemente a maior descoberta de petróleo do milênio. Na referida entrevista Assange lembra que, conforme a publicações do Wikileaks, feitas desde 2006, o golpe está sendo construído há muito tempo. Afirmou que, no caso da Petrobrás e do tratamento dado ao Petróleo, a questão que está colocada é que tipo de Estado o Brasil quer ser. Um Estado forte, ou fraco, com seus recursos naturais dominados por grandes petrolíferas estrangeiras e multinacionais. Sobre isso, os golpistas já se definiram há muito tempo.

Campanha de Vacinação da Gripe

Inverno chegando, quedas bruscas de temperatura… e você, o que faz pra se proteger? A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a gripe. A vacina faz efeito entre 10 a 15 dias após a aplicação e a imunização dura por até 12 meses.

Em Tubarão, a Campanha de Vacinação já começou e o Sindicato dos Comerciários está oferecendo a seus associados uma excelente oportunidade para que todos cuidem de sua saúde. Confira os horários:

AMANHÃ, dia 06 de maio (Dia D): das 9h às 15h

De segunda a sexta, das 7h às 19h, sem fechar ao meio-dia.

Valores especiais para associados e dependentes:
Trivalente: R$ 45
Tetravalente: R$ 58

Lembramos que os estoques da vacina são limitados. Garanta a sua!

Em Tubarão o Sesi fica na avenida Marcolino Martins Cabral, 1702 – Vila Moema. O fone é o (48) 3621-9300. Trabalhadores associados ao Sindicato dos Comerciários só precisam apresentar a carteirinha na hora da vacina para receber o desconto.

 

Milhares reúnem-se nas ruas de Tubarão contra as reformas de Temer

“Mulheres, cuidado! É a vocês que o governo reserva mais peso e mais sofrimento. Homens do campo, cuidado! Vocês que trabalham de sol a sol, no frio, no calor e na geada, vão trabalhar também à noite. Operários, cuidado! Seus patrões terão mais direitos e liberdades de pagar-lhes menos e dispensá-los com menos direitos ainda”. O padre Aluísio Heidemann, da Comisão Pastoral da Terra (CPT), de São Ludgero, também deu seu alerta aos milhares de manifestantes que se reuniram na manhã de hoje, em Tubarão.

Foram quase duas mil pessoas que desde as 6h30 da manhã ocuparam as ruas da cidade dizendo NÃO às reformas trabalhista e Previdenciária, além da Terceirização. Movimentos sociais, sindicais, trabalhadores, estudantes e aposentados fizeram o dever de casa e deram o recado: nenhum direito a menos!

Padre Aluísio destacou o caráter pacífico e bem estruturado da Greve Geral em Tubarão. “Todos aqui estão de parabéns pela atitude cidadã e por esta belíssima manifestação. Vocês todos que aqui vieram podem se orgulhar por estar na rua lutando por nosso país, dizendo não ao retrocesso, não à covardia dos colarinhos brancos que, lá de cima, só nos maltratam.

Mais de vinte categorias profissionais aderiram à Greve Geral na região, entre comerciários, professores, ferroviários, bancários, agricultores, eletricitários e aposentados, clamando por um país mais justo e inclusivo. Centenas exibiam faixas e placas acusando o golpe nos trabalhadores e enumerando os riscos de perdermos, todos, benefícios e direitos duramente conquistados ao longo de décadas.

A diretora do Sindicato dos Comerciários de Tubarão e região, Elizandra Anselmo, observou que as reformas que estão sendo impostas ao trabalhador brasileiro só vão prejudicá-lo. “O povo vai acabar na miséria. Hoje nossa situação não é das melhores, mas ainda contamos com alguns poucos direitos que nos garantem certa dignidade. Com as reformas, sequer com o salário mínimo poderemos contar, em muitos casos. É uma vergonha, é o empobrecimento de nosso país e a destruição da classe trabalhadora”, acusou Elizandra.

O representante do Sinttel/SC, Israel Vieira Brígido, questionou o fato do governo e boa parte da imprensa brasileira destacar que as leis trabalhistas no Brasil são consideradas “leves”. “São leves (as leis), mas o Brasil é o quarto país em acidentes de trabalho fatais no mundo. São leves, mas hoje são 700 mil acidentes de trabalho por mês, no país. Nossas leis são leves, mas em vinte anos, 50 mil pessoas foram tiradas de situações análogas ao trabalho escravo. O Ministério Público do Trabalho estima que hoje são três milhões de crianças trabalhando no Brasil”, pontuou Israel. “Se nossas leis são leves e temos todos estes números negativos, o que será de nós após a Reforma Trabalhista?”, questiona.

Um caixão adornado pelas fotos dos deputados catarinenses que votaram em favor das reformas foi carregado por participantes do ato e, como forma de protesto, queimado ao final do evento. Celso Maldaner (PMDB), João Paulo Kleinübing (PSD), João Rodrigues (PSD), Jorginho Melo (PR), Marco Tebaldi (PSDB), Mauro Mariani (PMDB), Rogério Peninha (PMDB), Valdir Colatto (PMDB) e Ronaldo Benedet (PMDB) foram duramente criticados e cobrados pela postura pouco favorável ao trabalhador brasileiro. “Políticos como estes merecem nosso eterno desprezo. Anotem seus nomes e aguardem-nos nas próximas eleições. Sua traição não será esquecida”, observou Gisele Vargas, presidenta do Sinpaaet.

Gisele acrescenta: “Não podemos aceitar que este Congresso corrupto aprove reformas da Previdência e trabalhista, atirando a sociedade num mar de lama. O congresso tem que escutar as ruas, e as ruas estão dizendo “não!”.

Rodrigo Pickler, presidente do Sindicato dos Comerciários, sugeriu que todos os participantes da Greve Geral em Tubarão conversem com outras pessoas e repassem o que realmente está acontecendo no país. “Todos aqui somos capazes de replicar as falas que foram feitas hoje, por várias lideranças, por trabalhadores das mais distintas áreas. Temos a responsabilidade de conscientizar nossos amigos, familiares e colegas de trabalho quanto à catástrofe que estas reformas irão provocar na vida dos trabalhadores”.

O presidente do Sindicato dos Ferroviários, Jerônimo Miranda Netto, quer deixar um bom exemplo às futuras gerações. “Eu não vou envergonhar meus filhos e netos permitindo-me ser ludibriado pelo governo e pela grande mídia. Pelo contrário, quero deixar um legado que inspire e que orgulhe. Eu vou lutar, vou resistir. Quero meus direitos e quero os direitos daqueles que ainda estão por vir”, observou.

O ato contra as reformas tomou as ruas do Centro de Tubarão até o meio-dia. No período da tarde, organizadores circularam pelo Calçadão da cidade prestando esclarecimentos e distribuindo material explicativo. As manifestações que ganharam corpo em todo o Brasil ao longo desta sexta-feira, 28 de abril, só vão terminar quando os objetivos da classe trabalhadora forem totalmente atingidos. Portanto, serão repetidas quantas vezes forem necessárias.