Assédio moral: saiba como identificar e combater

Suas opiniões são desconsideradas, sua fala, modo de se vestir ou de se expressar são ridicularizados, as regras que você deve cumprir são mais rigorosas que as dos colegas… o momento de ir para o trabalho tornou-se um pesadelo. Você já passou por alguma situação assim? Já se sentiu a beira de um ataque de nervos só de pensar em ter que ir trabalhar? Como você costuma ser tratada no ambiente de trabalho? Cuidado, você pode estar sendo vítima de assédio moral.

Na noite da última quinta-feira, 08 de outubro, o Sindicato dos Comerciários acompanhou uma conversa (online) com a advogada trabalhista Júlian Marcelino Araújo, do Plena Coletivo Feminista, de Tubarão. O tema da conversa foi o direito da trabalhadora e o assédio moral no trabalho.

A especialista fez um breve apanhado sobre a relação da mulher com a sociedade e o mercado de trabalho, a discriminação, a dupla ou tripla jornada e a luta constante dos movimentos sociais e sindicais para promoverem melhorias na vida da mulher trabalhadora. “Ao longo dos anos, mudanças na lei beneficiaram a mulher no mercado de trabalho. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) inclusive tem um capítulo exclusivo para o trabalho da mulher”, diz Júlian.

Infelizmente, nos últimos anos temos acompanhado um verdadeiro desmonte no que se refere aos direitos trabalhistas, com flexibilização e a consequente precarização das normas de trabalho. Com a Reforma Trabalhista surgiram “novas” formas de trabalho: terceirização, trabalho intermitente, empregos informais, em tempo parcial ou outras formas atípicas; gestantes trabalhando em todos os graus de insalubridade, retirada dos vinte minutos de descanso e uma campanha maciça para o enfraquecimento dos sindicatos.

O argumento utilizado para a aprovação da reforma trabalhista se provou falso: ao invés de impulsionar a economia e criar mais empregos, o que vem sendo registrado é exatamente o oposto, com nível de desemprego batendo recordes e a escassez generalizada no mercado de trabalho, onde, para manter determinada renda, o trabalhador se vê obrigado a se desdobrar em vários subempregos (vide aplicativos de teleentrega e de transporte).

“E neste cenário tudo se complica ainda mais quando se é uma mulher trabalhadora. Dizem que a mulher dá conta de mais coisas. Não é verdade. Ela apenas TEM QUE dar conta de mais coisas”, acrescenta a advogada.

A precarização dos direitos do trabalhador evidenciou ainda mais a ocorrência massiva de casos de assédio moral, onde a dignidade do trabalhador é muitas vezes aniquilada. Mas você sabe exatamente o que é o assédio moral? “Trata-se da exposição de pessoas a situações humilhantes de forma repetitiva e prolongada. Traz danos à dignidade e à integridade do indivíduo, colocando saúde em risco, prejudicando ambiente de trabalho. É uma conduta abusiva, manifestando-se por comportamentos, palavras, atos, gestos ou escritos que possam trazer danos à personalidade, dignidade”, esclarece a advogada trabalhista.

Julian enumera alguns tipos de assédio bastante comuns: interpessoal, institucional, institucional descendente e ascendente, e o horizontal. (saiba mais clicando aqui).

Mas nada melhor do que visualizar determinadas situações para saber reconhecer um autêntico caso de assédio moral. Portanto, seguem algumas situações mais corriqueiras onde o crime é registrado.

  • Desconsiderar ou ironizar suas opiniões;
  • Retirar cargos e funções sem motivo justo;
  • Ter que seguir condições e regras de trabalho mais severas que os colegas;
  • Receber tarefas impossíveis de cumprir num determinado período;
  • Vigilância em excesso;
  • Incentivo à rivalidade entre os colegas de trabalho, para gerar desconfiança e evitar solidariedade;
  • Apelidos constrangedores e punições humilhantes (como castigos ou prendas);
  • Isolamento.

Ações como esta provocam um prejuízo considerável à saúde mental do trabalhador. O ambiente de trabalho, assim como o familiar, é fundamental para regular nossa saúde física e mental. Em um mau ambiente, a consequência mais óbvia é a doença. Dores generalizadas, palpitações, distúrbios digestivos, pressão alta, dificuldade para dormir, irritabilidade e, é claro, depressão são observados com muita frequência em casos de assédio moral.

Agora talvez você já consiga perceber se já foi ou está sendo vítima de assédio moral. Então chegou o momento de agir. Mas o que fazer?

  • Reúna provas do assédio;
  • Peça ajuda aos colegas de trabalho (para que ao menos possam testemunhar a seu favor);
  • Comunique a situação ao superior hierárquico do assediador;
  • E, claro, procure o sindicato! Estamos aqui para ajudar!

Colabora também com a precarização do trabalho e da vida do trabalhador a consciência introjetada de que o patrão é superior, é melhor, de que o sindicato não resolve nada, que é preciso ceder e facilitar a vida do empregador ao máximo, afinal, foi ele “quem deu seu emprego”. Não caia nessa. Faça valer seus direitos e exija respeito. Você não é uma mercadoria.